GSete - Relíquias e Objetos Antigos

Anos 2010 – A era dos smartphones

Ilustração de 4 smartphones de 2010: BlackBerry Bold, Nokia E71, Samsung Galaxy S e o Sony Xperia disposto em monitor de computador.
A elite de 2010: o encontro entre a produtividade do teclado e o brilho das telas.


Se pudéssemos congelar o tempo no universo da tecnologia, o ano de 2010 seria um dos mais fascinantes. Foi o momento da "Grande Transição". De um lado, tínhamos os reis da produtividade, com seus teclados QWERTY físicos que faziam qualquer executivo se sentir um mestre da digitação. Do outro, os novos desafiantes com telas vibrantes e sistemas operacionais prontos para engolir o mundo. Modelos como o BlackBerry Bold, o Nokia E71, o Samsung Galaxy S e o Sony Xperia representam as diferentes faces dessa revolução. Ter um desses sobre a mesa em 2010 era mais do que ter um telefone; era declarar a qual "tribo tecnológica" você pertencia.

Origem e história

A origem desses aparelhos remonta à necessidade de levar o escritório para o bolso. O BlackBerry Bold e o Nokia E71 foram herdeiros de uma linhagem focada em e-mails e segurança corporativa. O BlackBerry, em particular, surgiu no Canadá com a RIM (Research In Motion), focando no famoso serviço de mensagens BBM.

Já o Samsung Galaxy S e o Sony Xperia (X10) surgiram como respostas diretas à revolução iniciada pela Apple em 2007. A Samsung, em 2010, decidiu que era hora de criar um padrão para o ecossistema Android, enquanto a Sony (ainda sob a marca Sony Ericsson) buscava fundir seu legado de design e multimídia com o novo sistema operacional do Google. Eles foram criados em centros de alta tecnologia na Coreia do Sul, Japão e Europa, utilizando o que havia de mais moderno em painéis de LED e processadores móveis da época.

Período de maior popularidade

O auge desses dispositivos aconteceu entre 2008 e 2012. Em 2010, o BlackBerry Bold era o símbolo de status definitivo em Wall Street e na Avenida Paulista. O Nokia E71 era a escolha de quem buscava a indestrutibilidade finlandesa aliada à elegância do metal.

Entretanto, foi a partir do lançamento do primeiro Samsung Galaxy S em meados de 2010 que a maré começou a virar. Ele se tornou popular instantaneamente por oferecer uma alternativa poderosa e personalizável ao iPhone. As pessoas começaram a trocar os teclados físicos pelas telas Super AMOLED, percebendo que o consumo de mídia (vídeos e fotos) estava se tornando tão importante quanto escrever e-mails.

Características e funcionamento

Em 2010, a experiência de uso variava drasticamente entre os modelos:

  • BlackBerry Bold: Famoso pelo teclado curvado e o trackpad óptico. Funcionava com o sistema BlackBerry OS, extremamente eficiente para textos, mas limitado para aplicativos modernos.

  • Nokia E71: Um prodígio de design em aço inoxidável. Rodava o sistema Symbian, que era multitarefa muito antes de ser moda, permitindo alternar entre o modo "Trabalho" e "Pessoal".

  • Samsung Galaxy S: O divisor de águas. Introduziu a tela Super AMOLED de 4 polegadas e o processador "Hummingbird" de 1GHz. Funcionava com o Android 2.1 Eclair e a interface TouchWiz.

  • Sony Xperia X10: Destacava-se pela câmera de 8.1 megapixels (uma gigante para a época) e pela interface Timescape, que organizava as redes sociais em "cascatas" visuais.

Curiosidades

  • O Vício no BBM: O BlackBerry Messenger (BBM) era o precursor do WhatsApp. As pessoas trocavam "PINs" em vez de números, e o som de notificação do BlackBerry era capaz de causar ansiedade em qualquer alto executivo.

  • Câmera do Futuro: O Sony Xperia X10 foi um dos primeiros Androids a focar seriamente na qualidade fotográfica, tentando herdar a fama das câmeras Cyber-shot da Sony.

  • A Tela da Samsung: Quando o Galaxy S foi lançado, muitos duvidaram que uma tela de 4 polegadas fosse necessária. Hoje, o tamanho médio dos smartphones é de 6.7 polegadas.

  • A Finura do E71: O Nokia E71 era tão fino (10mm) que parecia uma joia de metal, desafiando a ideia de que smartphones corporativos precisavam ser robustos e feios.

Declínio ou substituição

O declínio dos modelos com teclado físico (BlackBerry e Nokia) foi rápido e doloroso. A tecnologia das telas capacitivas melhorou tanto que digitar no vidro tornou-se mais rápido do que em teclas minúsculas. Além disso, a "Guerra das Lojas de Aplicativos" foi vencida pela Apple e pelo Google.

O sistema Symbian da Nokia e o BlackBerry OS não conseguiram atrair desenvolvedores para jogos e redes sociais como o Android e o iOS. Em poucos anos, a Samsung consolidou-se como a líder do mundo Android com a linha Galaxy S, enquanto a Nokia e a BlackBerry entraram em processos de reestruturação ou venda de suas divisões móveis, sendo substituídas por uma hegemonia de telas infinitas.

Conclusão

Olhar para um BlackBerry Bold ou um Nokia E71 ao lado de um Galaxy S inicial é ver um momento de transição cultural. Eles representam o fim de uma era onde o hardware era o rei e o início de uma era onde o software e a tela são tudo. Em 2010, esses smartphones desenharam o mapa do mundo que habitamos hoje. No GSete.net, celebramos esses aparelhos como os "clássicos modernos" que nos ensinaram que o futuro é, acima de tudo, tátil.


 

Postar um comentário

"E você, viveu essa época? Deixe seu comentário, sua história ou sua sugestão abaixo. Vamos conversar sobre o passado!"

Postagem Anterior Próxima Postagem
Hospedagem de sites ilimitada superdomínios