Cítara ou Arpa? O Instrumento que Marcou Gerações

 

Cítara triangular de madeira sendo tocada com partituras coloridas

A cítara, conhecida como arpa no Rio Grande do Sul, era símbolo da música popular artesanal.

1. Introdução

Antes da internet, dos aplicativos de música e dos fones de ouvido sem fio, havia um som simples e encantador que ecoava nas feiras e nas casas do interior: o som da cítara, ou como muitos chamavam no Rio Grande do Sul, a arpa. Se você viveu os anos 1960, 70 ou 80, talvez se lembre de ver vendedores ambulantes demonstrando esse instrumento triangular de madeira, com partituras coloridas e um som doce que parecia vir de outro tempo. Era muito comum na época — e hoje virou pura nostalgia.

2. Origem e história

A cítara tem raízes antigas, vindas da Grécia e do Egito, onde instrumentos semelhantes eram usados em cerimônias e apresentações. No Brasil, ela chegou com os imigrantes europeus, principalmente alemães e italianos, que trouxeram suas tradições musicais para o Sul. Com o tempo, o instrumento ganhou versões simplificadas, feitas artesanalmente em madeira, e passou a ser vendido como uma “harpa popular”. No Rio Grande do Sul, o nome arpa pegou — e até hoje, quem viveu essa fase dificilmente esquece.

3. Período de maior popularidade

A cítara viveu seu auge entre as décadas de 1960 e 1980. Era o tipo de instrumento que encantava pela simplicidade: não exigia estudo formal de música, bastava seguir as partituras numeradas que vinham junto. Vendedores viajantes percorriam cidades do interior, feiras e praças, demonstrando como qualquer pessoa podia tocar canções conhecidas como Noite Feliz, O Cravo e a Rosa ou Ave Maria. Você lembra disso? Era uma cena típica — o som suave da cítara misturado ao burburinho das feiras, despertando curiosidade e alegria.

4. Características e funcionamento

A cítara era feita de madeira, geralmente em formato triangular, com cordas metálicas esticadas sobre uma base. No centro, havia um espaço para encaixar uma partitura especial, impressa com números e cores que indicavam quais cordas deveriam ser tocadas. O músico usava uma pequena palheta para dedilhar as cordas, seguindo o ritmo e a sequência dos números. Era um sistema simples e genial: mesmo sem saber ler música, qualquer pessoa podia tocar melodias completas. Essa acessibilidade fez da cítara um símbolo de aprendizado musical popular.

5. Curiosidades

No Rio Grande do Sul, era chamada de arpa, enquanto em outras regiões do Brasil mantinha o nome cítara.

As partituras vinham em kits, geralmente com 11 ou 17 músicas, impressas em papel triangular para encaixar no instrumento.

Muitos vendedores ambulantes faziam pequenas apresentações nas feiras, tocando trechos de músicas para atrair compradores.

Algumas versões traziam desenhos florais e o nome “CÍTARA” gravado na madeira, tornando cada peça única.

Há exemplares antigos preservados em museus, como o Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, que guarda instrumentos históricos trazidos por imigrantes

6. Declínio ou substituição

Com o avanço da tecnologia e a popularização de instrumentos eletrônicos, a cítara acabou perdendo espaço. Teclados, violões e depois os sintetizadores tomaram conta das lojas e dos palcos. A música se digitalizou, e o som artesanal da cítara ficou restrito às lembranças. Hoje, ela é vista como um objeto de coleção ou uma peça de decoração retrô — um símbolo de uma época em que aprender música era uma experiência tátil e comunitária.


7. Conclusão

A cítara, ou arpa como era chamada no Rio Grande do Sul, representa mais do que um instrumento musical: é um pedaço da memória afetiva de quem viveu um tempo em que a música era compartilhada de forma simples e humana. Era muito comum na época ver famílias reunidas em torno dela, tentando acompanhar as partituras coloridas e rindo dos erros e acertos. Hoje virou pura nostalgia — mas também um lembrete de que a tecnologia pode mudar tudo, menos o encanto de uma melodia tocada com as próprias mãos.

E você, lembra disso?

Se bateu aquela nostalgia, aproveite para explorar outros conteúdos aqui do blog. Tem muita história interessante escondida em objetos simples do passado.

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