![]() |
| HP-150: pioneiro da tecnologia touchscreen nos anos 80 |
1. Introdução
Em 1983, a Hewlett-Packard lançou o HP-150, um dos primeiros computadores pessoais com tela sensível ao toque. Em uma época em que a maioria dos computadores ainda usava interfaces baseadas em texto e comandos digitados, o HP-150 representava uma revolução: permitia ao usuário interagir diretamente com a tela, antecipando uma tendência que só se tornaria comum décadas depois. Este artigo explora a história, funcionamento e legado dessa tecnologia pioneira.
2. Origem e história
O HP-150 foi desenvolvido pela Hewlett-Packard como parte de sua linha de computadores pessoais voltados para o mercado corporativo. Lançado em novembro de 1983, ele utilizava uma tela CRT de 9 polegadas equipada com sensores infravermelhos ao redor da borda. Esses sensores detectavam a interrupção dos feixes de luz infravermelha quando o usuário tocava a tela, permitindo a seleção de ícones e comandos.
A ideia de uma interface mais intuitiva surgiu da necessidade de tornar os computadores mais acessíveis para usuários não técnicos. Embora o HP-150 não fosse o primeiro dispositivo com tecnologia de toque, foi um dos primeiros a integrar essa funcionalidade em um computador pessoal comercial.
3. Período de maior popularidade
O HP-150 teve seu auge entre 1983 e 1986, sendo utilizado principalmente em ambientes corporativos, como bancos, companhias telefônicas e escritórios administrativos. Seu uso era limitado pelo alto custo e pela necessidade de software específico que aproveitasse a funcionalidade touchscreen. Ainda assim, ele pavimentou o caminho para o desenvolvimento de quiosques interativos e sistemas de autoatendimento que se tornaram comuns nos anos 1990.
4. Características e funcionamento
O HP-150 vinha com:
Processador Intel 8088
Tela CRT de 9" com sensores infravermelhos
Sistema MS-DOS modificado pela HP
Interface gráfica rudimentar com ícones clicáveis
Unidade de disquete de 3,5"
Teclado e mouse opcionais
A tecnologia de toque utilizada era baseada em sensores infravermelhos, diferente das telas capacitivas ou resistivas modernas. Quando o usuário tocava a tela, interrompia os feixes de luz infravermelha, e o sistema identificava a posição do toque. Essa abordagem funcionava bem para ícones grandes, mas não permitia gestos complexos como arrastar ou múltiplos toques simultâneos.
5. Curiosidades
O HP-150 não tinha uma tela "realmente" sensível ao toque — a detecção era feita por sensores externos, e não pela própria superfície da tela.
Era possível ativar funções com o toque de uma caneta ou dedo, mas o sistema não reconhecia pressão ou múltiplos toques.
A tecnologia infravermelha era tão sensível que até poeira acumulada nos sensores podia causar mau funcionamento.
O HP-150 foi um dos primeiros computadores a usar disquetes de 3,5", que mais tarde se tornariam padrão.
6. Declínio ou substituição
Com o avanço das interfaces gráficas e a popularização do mouse, o HP-150 perdeu espaço. A tecnologia de toque infravermelha era cara, limitada e pouco prática para o uso doméstico. Nos anos 1990, surgiram telas resistivas e, posteriormente, capacitivas, que permitiam interações mais precisas e complexas. O conceito de touchscreen só se popularizou de fato com o lançamento de smartphones e tablets no século XXI.
7. Conclusão
O HP-150 foi um marco na história da computação pessoal. Embora limitado pelas tecnologias da época, ele antecipou uma tendência que hoje é onipresente: a interação direta com a tela. Seu legado vive nos smartphones, tablets e quiosques modernos, lembrando que a inovação muitas vezes começa com passos ousados e imperfeitos.
