![]() |
| Um costume familiar bastante comum em muitas casas brasileiras. |
Antes de existirem estudos que explicassem melhor como funciona o cérebro humano, muitas tradições eram transmitidas de geração em geração sem que ninguém questionasse muito. Uma delas era o costume de ensinar crianças canhotas a escrever com a mão direita. Era muito comum na época que pais, avós e outros familiares acreditassem que estavam ajudando os filhos a se adaptarem melhor ao mundo.
Quem viveu essa fase dificilmente esquece. Em muitas casas brasileiras, esse costume fazia parte da educação, sem qualquer intenção de punição. Pelo contrário, era visto como uma forma de preparar a criança para um mundo em que quase tudo era pensado para destros. Você lembra disso?
Origem e história
A preferência pela mão direita acompanha a humanidade há muitos séculos. Em diversas culturas, ela passou a representar o lado considerado correto, enquanto a mão esquerda acabou sendo vista apenas como uma exceção.
No Brasil, essa tradição foi trazida principalmente pelos costumes europeus e permaneceu presente durante boa parte do século XX. Dentro das famílias, era comum ouvir conselhos para que a criança aprendesse a escrever com a mão direita desde cedo.
Na época, pouco se sabia sobre lateralidade cerebral. A maioria das pessoas acreditava que o uso predominante de uma das mãos era apenas um hábito que poderia ser mudado com prática e dedicação.
Hoje sabemos que a preferência por uma das mãos faz parte do desenvolvimento natural de cada pessoa, mas durante décadas essa informação simplesmente não fazia parte do conhecimento popular.
Período de maior popularidade
Esse costume foi especialmente comum entre as décadas de 1940 e 1980, embora em algumas regiões tenha permanecido por mais tempo.
Era muito comum na época que familiares colocassem o lápis na mão direita da criança ou incentivassem delicadamente que ela realizasse determinadas tarefas dessa maneira. A intenção, na maioria dos casos, era facilitar sua vida futura, já que cadernos, tesouras, carteiras, ferramentas e inúmeros objetos eram fabricados pensando principalmente nos destros.
Muitas pessoas que hoje têm mais de cinquenta ou sessenta anos lembram dessas orientações com naturalidade. Algumas continuaram canhotas, outras passaram a escrever com a mão direita e diversas acabaram desenvolvendo habilidade com as duas mãos.
Quem viveu essa fase dificilmente esquece como esse costume fazia parte do cotidiano das famílias brasileiras.
Características e funcionamento
Ao contrário do que muitos imaginam hoje, essa tradição normalmente acontecia dentro de casa, durante os primeiros contatos da criança com o lápis e o papel.
Pais e avós costumavam orientar que as primeiras letras fossem feitas com a mão direita. Acreditava-se que isso ajudaria a criança a escrever com mais facilidade ao longo da vida.
Não existia um método oficial. Cada família fazia da forma que conhecia. Algumas apenas incentivavam o uso da mão direita, enquanto outras repetiam pacientemente o exercício até que a criança se acostumasse.
Curiosamente, muitas pessoas acabavam desenvolvendo uma habilidade inesperada: tornavam-se praticamente ambidestras. Escreviam com uma mão, mas realizavam outras atividades naturalmente com a outra.
Naquela época, tudo isso era visto apenas como parte da educação doméstica. Hoje virou pura nostalgia e também um interessante retrato de como os conhecimentos científicos evoluíram.
Curiosidades
Estima-se que cerca de 10% da população mundial seja naturalmente canhota.
Muitas pessoas que aprenderam a escrever com a mão direita continuaram utilizando a esquerda para jogar bola, usar ferramentas ou realizar outras tarefas.
Durante muitos anos, praticamente todos os objetos do dia a dia eram projetados para destros.
A palavra "destreza" acabou se tornando sinônimo de habilidade, enquanto diversas expressões populares associavam a mão direita ao que era considerado correto.
Hoje, diversos fabricantes produzem materiais específicos para canhotos, como tesouras, cadernos, instrumentos musicais e utensílios adaptados.
Estudos modernos mostram que não existe uma mão melhor do que a outra. A lateralidade faz parte das características naturais de cada indivíduo.
Declínio ou substituição
A partir das décadas de 1980 e 1990, os avanços da neurologia, da psicologia e da pedagogia começaram a mudar essa visão.
Pesquisas demonstraram que a preferência pela mão esquerda ou direita faz parte do desenvolvimento normal do cérebro e não deveria ser modificada apenas por tradição.
Ao mesmo tempo, fabricantes passaram a produzir mais materiais adaptados aos canhotos, tornando o cotidiano muito mais confortável.
Assim, aquela antiga tradição foi sendo deixada para trás. Hoje, pais e familiares são orientados a respeitar a lateralidade natural da criança, permitindo que ela desenvolva suas habilidades da forma mais espontânea possível.
Conclusão
A antiga tradição de ensinar os canhotos a escrever com a mão direita faz parte da memória de milhares de famílias brasileiras. Ela nasceu de costumes transmitidos ao longo das gerações e refletia o conhecimento disponível naquele período.
Hoje, olhando para trás, entendemos que aquela prática fazia parte de outra época, quando muitas decisões eram guiadas pela experiência familiar e pelas tradições do cotidiano.
Mais do que lembrar de um costume antigo, esse tema mostra como a sociedade evolui à medida que novos conhecimentos surgem. É uma pequena janela para entender como viviam nossos pais, avós e bisavós.
Hoje virou pura nostalgia, mas continua sendo uma história interessante para preservar na memória.
E você, lembra disso?
Se bateu aquela nostalgia, aproveite para explorar outros conteúdos aqui do blog. Tem muita história interessante escondida em objetos simples e costumes do passado.
