Se você viveu as décadas de 80 ou 90, provavelmente se lembra da sensação de segurar um objeto tecnológico pela primeira vez e sentir que o futuro estava batendo à porta. Hoje, estamos acostumados com telas de vidro finíssimas e ultrasensíveis, mas o caminho até aqui foi pavimentado por aparelhos que pareciam ter saído diretamente de um filme de ficção científica de baixo orçamento.
Neste artigo, vamos viajar no tempo para conhecer três pioneiros: o GRidPad, o Apple Newton e o Microsoft Tablet PC. Eles tentaram mudar o mundo muito antes do iPad sequer ser um rascunho. Você lembra disso?
Antes de o toque dos nossos dedos comandar tudo, o mundo digital era dominado pelo "clique" do mouse ou pelo teclado barulhento. Mas, nos bastidores da engenharia, existia um sonho: o de criar uma prancheta eletrônica. No Brasil, onde a reserva de informática ainda deixava marcas e as novidades chegavam a passos lentos e preços astronômicos, esses aparelhos eram vistos apenas em revistas importadas ou nas mãos de grandes executivos e engenheiros. Eles foram os "avôs" dos tablets, dispositivos que tentaram, cada um à sua maneira, eliminar o papel e a caneta.
Origem e história
Tudo começou de forma bruta com o GRidPad, em 1989. Criado por Jeff Hawkins (que mais tarde fundaria a Palm), ele é tecnicamente o primeiro tablet comercial de sucesso. Ele rodava o antigo MS-DOS — sim, aquele sistema de letrinhas brancas no fundo preto — mas aceitava comandos de uma caneta presa por um fio.
Já em 1993, a Apple, sob o comando de John Sculley, lançou o Newton MessagePad. A ideia era revolucionária: um assistente digital que cabia na mão e entendia a sua caligrafia. Por fim, em 2002, Bill Gates apresentou o Windows XP Tablet PC Edition, tentando colocar a potência de um computador completo em uma tela que podia ser girada e dobrada sobre o teclado.
Período de maior popularidade
Quem viveu essa fase dificilmente esquece a expectativa que esses lançamentos geravam. O GRidPad foi o rei do final dos anos 80 em nichos específicos, como o exército americano e grandes corporações que precisavam de inventários rápidos. No Brasil, ele era uma raridade absoluta, quase uma lenda urbana tecnológica.
O Apple Newton teve seu auge (e queda) no meio dos anos 90. Ele se tornou um ícone cultural, aparecendo até em episódios dos Simpsons. Já o Tablet PC de 2002 foi o símbolo do executivo moderno do início dos anos 2000. Era muito comum na época ver esses aparelhos em feiras de tecnologia como a Fenasoft, em São Paulo, prometendo que, em poucos anos, ninguém mais usaria cadernos de papel.
Características e funcionamento
O funcionamento desses aparelhos era bem diferente do que temos hoje. Esqueça o toque suave; o negócio aqui era a pressão e a precisão.
GRidPad: Era um "tijolo" de quase 2 kg. Sua tela era monocromática e ele vinha com uma caneta de metal. Você preenchia formulários digitais como se estivesse usando uma prancheta de madeira.
Apple Newton: Introduziu o conceito de "Inteligência Artificial" básica. Se você escrevesse "Almoço com Maria às 12h", ele tentava agendar isso automaticamente. O problema? Ele frequentemente entendia "Almoço" como "Amigo" ou algo pior, o que gerava muita frustração.
Windows XP Tablet PC: Eram notebooks conversíveis. A tela girava em um eixo central e travava sobre o teclado. O sistema era o Windows XP que todos conhecemos, mas com ícones ligeiramente maiores para serem clicados com uma caneta eletrônica (Stylus).
Curiosidades
O "Pai" do Palm: O criador do GRidPad usou o que aprendeu com esse "monstrengo" para criar o Palm Pilot, que foi o primeiro grande sucesso de bolso.
Vingança de Steve Jobs: Quando Steve Jobs voltou para a Apple em 1997, uma das primeiras coisas que ele fez foi cancelar o Newton. Ele detestava a ideia de usar uma caneta (Stylus). Anos depois, ele provou seu ponto com o iPhone e o iPad, focados no dedo humano.
Uso em Farmácias e Logística: No Brasil dos anos 90, a ideia de usar algo parecido com o GRidPad para controle de estoque era o sonho de qualquer prático de farmácia ou almoxarife, cansado de conferir fichas de papel manualmente.
Declínio ou substituição
Essas tecnologias sofreram com três problemas: bateria que durava pouco, telas difíceis de enxergar sob o sol e sistemas operacionais que não eram pensados para o toque. Hoje virou pura nostalgia, mas na época, a frustração de um sistema que não entendia o que você escrevia era real.
A substituição veio em ondas. Primeiro, os PDAs (como o Palm Pilot) substituíram a necessidade de agendas digitais grandes. Depois, em 2010, o iPad mudou tudo ao introduzir a tela capacitiva (que responde ao toque suave do dedo) e uma bateria que realmente durava o dia todo. O conceito de "caneta" foi abandonado por anos, voltando apenas recentemente como um acessório de luxo e precisão.
Conclusão
Olhar para o GRidPad, o Newton e o Windows XP Tablet PC é como olhar para os primeiros aviões de madeira: eles podem parecer desajeitados e limitados, mas sem eles, não teríamos a tecnologia incrível de hoje. Eles representam uma era de experimentação e coragem. Para quem gosta de história e de revirar o baú da tecnologia, esses aparelhos são tesouros que mostram como a humanidade sempre buscou formas de tornar a informação mais acessível e portátil.
E você, lembra disso?
Se bateu aquela nostalgia, aproveite para explorar outros conteúdos aqui do blog. Tem muita história interessante escondida em objetos simples do passado.
