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Casas de Madeira com Telha Canoa: Um Clássico Brasileiro dos Anos 70


Casa simples de madeira dos anos 70 com telhado de telha canoa em ambiente claro e destaque ampliado da telha colonial.
Casa popular brasileira dos anos 70 usando a tradicional telha canoa de barro

A chamada Telha canoa era uma das coberturas mais comuns nas casas populares brasileiras durante os anos 60 e 70. Seu formato arredondado lembrava uma pequena canoa virada para baixo, daí o apelido popular usado em muitas regiões do país.

Essas telhas apareciam principalmente em casas simples de madeira, muito comuns no Sul e Sudeste, além de residências rurais espalhadas por todo o Brasil. O modelo ajudava a manter a temperatura interna mais agradável, protegia bem da chuva e ainda tinha fabricação relativamente barata.

Naquela época, o telhado tinha enorme importância visual. Muitas vezes era o elemento mais valorizado da casa, já que o acabamento das paredes podia ser simples, mas um bom telhado representava segurança e durabilidade.

Origem e história

As telhas curvas de barro possuem origem muito antiga, herdada da arquitetura portuguesa colonial. O sistema conhecido tecnicamente como Telha capa e canal já era utilizado no Brasil desde os tempos coloniais.

Inicialmente, essas telhas eram moldadas manualmente em barro cozido. Em algumas regiões antigas, artesãos utilizavam até as próprias coxas como molde para dar a curvatura característica das peças.

Com o avanço da industrialização nas décadas de 1950 e 1960, várias cerâmicas brasileiras passaram a produzir telhas em larga escala. Nos anos 70, isso permitiu que pequenas construções urbanas e rurais utilizassem o material com facilidade.

Entre fabricantes bastante conhecidos da época estavam:

Cerâmica São Caetano

Cerâmica Tettamanzy

Cerâmica Porto Ferreira

Brasilit

Em muitas cidades pequenas, também existiam olarias locais que produziam telhas artesanalmente para atender bairros inteiros.

 Período de maior popularidade

O auge das telhas canoa ocorreu entre as décadas de 1950 e 1980. Nos anos 70, especialmente, elas dominaram grande parte das construções populares brasileiras.

Isso aconteceu por vários motivos:

o barro era abundante e barato;

havia muitas cerâmicas regionais;

o modelo resistia bem ao calor;

combinava com estruturas simples de madeira;

permitia manutenção relativamente fácil.

Nas regiões Sul e Sudeste, era muito comum encontrar casas de madeira cobertas com telhas coloniais envelhecidas pelo tempo. Já no interior do Nordeste, elas apareciam em casas térreas com paredes caiadas e grandes varandas.

A popularização também coincidiu com o crescimento urbano acelerado dos anos 70, quando muitas famílias construíam suas próprias casas em terrenos recém-loteados.

Características e funcionamento

A principal característica da telha canoa era seu formato curvo. O sistema tradicional utilizava duas peças:

uma peça inferior chamada “canal”, por onde a água escorria;

outra superior chamada “capa”, cobrindo as junções.

Esse encaixe criava canais naturais para o escoamento da chuva.

Uma vantagem importante era a ventilação térmica. Como havia pequenos espaços entre as telhas e o forro, o calor dissipava melhor do que em coberturas metálicas modernas.

Outro detalhe interessante era a estrutura de madeira usada para sustentação. Muitas casas dos anos 70 utilizavam:

caibros grossos;

ripas largas;

madeira de lei;

beirais aparentes.

O conjunto criava aquele visual clássico das casas antigas brasileiras.

Nos anos 70 também começou a crescer o uso da Telha de fibrocimento, considerada mais prática e barata. Mesmo assim, muita gente ainda preferia a telha de barro por causa do conforto térmico.

Curiosidades

Uma curiosidade pouco conhecida é que muitas telhas antigas recebiam marcas gravadas diretamente no barro antes da queima. Algumas cerâmicas estampavam iniciais, datas ou símbolos próprios nas peças.

Outra característica típica das casas dos anos 70 era a antena de televisão instalada sobre o telhado. Com a chegada da TV em mais cidades brasileiras, as telhas canoa passaram a aparecer frequentemente em imagens familiares da época.

Também era comum reaproveitar telhas antigas. Quando uma casa era demolida, o material era retirado cuidadosamente para ser usado em outra construção.

Em regiões frias, algumas famílias colocavam jornais ou mantas improvisadas sob o telhado para diminuir o vento que entrava pelas frestas das telhas.

Declínio ou substituição

A partir dos anos 80 e 90, muitos modelos tradicionais começaram a perder espaço para materiais industrializados mais baratos e rápidos de instalar.

As telhas de fibrocimento ondulado se popularizaram bastante porque:

exigiam menos madeira;

cobriam áreas maiores;

eram leves;

tinham instalação mais rápida.

Depois vieram as telhas metálicas, de concreto e modelos modernos com encaixe.

Outro fator importante foi o custo da mão de obra. Instalar telha colonial exigia profissionais experientes, enquanto materiais novos simplificavam a construção.

Mesmo assim, as telhas canoa nunca desapareceram completamente. Até hoje continuam valorizadas em:

casas coloniais;

sítios;

pousadas;

restaurações históricas;

projetos rústicos.

Conclusão

As construções simples dos anos 70 usando telha canoa representam uma parte importante da memória arquitetônica brasileira. Elas revelam um período em que as casas eram construídas com materiais locais, soluções práticas e forte influência regional.

Mais do que um simples tipo de cobertura, essas telhas ajudaram a formar a identidade visual de milhares de bairros e cidades do Brasil. Ainda hoje, basta ver um velho telhado de barro sobre uma casa de madeira para muita gente sentir imediatamente a nostalgia daquela época.

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