![]() |
| homem usando casaco comprido de gabardine em ambiente interno |
Se você viveu os anos 60, 70 ou 80 — especialmente no Sul do Brasil — provavelmente já viu (ou até usou) um casaco comprido de gabardine. Aquele sobretudo bege, com botões alinhados e um certo ar de importância. Era roupa de sair bem vestido, de enfrentar o frio com estilo. Você lembra disso?
Mais do que uma peça de roupa, ele carregava um significado: elegância, proteção contra o clima e, de certa forma, status. Hoje virou pura nostalgia, mas ainda tem história viva por trás.
Origem e história
A gabardine não surgiu por acaso. Esse tecido foi criado no século XIX por Thomas Burberry, fundador da Burberry.
A ideia era simples, mas revolucionária: criar um tecido resistente, confortável e que protegesse do vento e da chuva leve. E deu certo. A gabardine virou rapidamente uma escolha popular na Europa, principalmente em roupas de uso externo.
Com o tempo, o tecido chegou às Américas e ganhou espaço também no Brasil, especialmente nas regiões mais frias.
Período de maior popularidade
Entre as décadas de 1960 e 1980, o casaco de gabardine teve seu auge. Era muito comum na época ver homens usando esses sobretudos em dias frios, principalmente no Sul — no Rio Grande do Sul então, nem se fala.
Em cidades onde o inverno apertava mais, o casaco comprido era quase um “uniforme de inverno”. Ele aparecia em:
idas ao trabalho
encontros formais
saídas à noite
até em eventos sociais mais importantes
Quem viveu essa fase dificilmente esquece. Havia algo quase cinematográfico no visual — parecia coisa de filme.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o estilo nunca saiu totalmente de moda. O famoso trench coat continua sendo usado até hoje, tanto por estilo quanto por praticidade.
Características e funcionamento
O que tornava esse casaco tão especial não era só a aparência.
A gabardine é um tecido de trama bem fechada, o que significa que:
bloqueia o vento com eficiência
resiste a respingos de chuva
tem boa durabilidade
mantém um caimento elegante
Além disso, o corte do casaco ajudava muito:
comprimento mais longo, protegendo melhor o corpo
lapelas largas, que davam um ar sofisticado
botões duplos em alguns modelos
cinto na cintura, que ajustava o caimento
Era funcional e bonito ao mesmo tempo. Uma combinação que explica por que fez tanto sucesso.
Curiosidades
Alguns detalhes curiosos que muita gente nem percebeu na época:
A palavra “gabardine” acabou virando sinônimo do casaco em si, mesmo sendo o nome do tecido
No Sul do Brasil, era comum ouvir variações na pronúncia, como “gabardini” — influência natural da fala regional
O visual ficou associado a figuras de autoridade, como policiais, investigadores e executivos
Muitos desses casacos eram guardados por anos e passados de geração em geração
Era comum ter um único casaco “bom”, usado só em ocasiões especiais
Era muito mais do que roupa — era quase um patrimônio pessoal.
Declínio ou substituição
Com o passar do tempo, o uso do casaco de gabardine começou a diminuir.
Alguns motivos explicam isso:
mudanças no clima percebido e no estilo de vida
roupas mais leves e práticas ganhando espaço
surgimento de tecidos sintéticos mais baratos
moda mais casual substituindo o formal
Jaquetas, casacos esportivos e materiais como nylon e poliéster acabaram tomando o lugar.
Mesmo assim, o estilo nunca desapareceu totalmente. Ele apenas saiu do cotidiano e foi para um lugar mais específico: moda clássica e ocasiões especiais.
Conclusão
O casaco comprido de gabardine marcou uma época em que se vestir bem fazia parte do dia a dia. Não era exagero — era costume.
Hoje virou pura nostalgia, mas ainda carrega aquele charme discreto de tempos mais formais. E, curiosamente, continua vivo em outros lugares do mundo, mostrando que certas ideias nunca envelhecem de verdade.
Quem viveu essa fase dificilmente esquece. E quem não viveu, consegue imaginar — porque algumas imagens são quase universais.
E você, lembra disso?
Se bateu aquela nostalgia, aproveite para explorar outros conteúdos aqui do blog. Tem muita história interessante escondida em objetos simples do passado.
