Dando continuidade à nossa série de clássicos que marcaram a paisagem urbana do Brasil, hoje o GSETE acelera nas memórias do Gordini. Se o DKW era o som da fumaça azul, o Gordini era o símbolo da agilidade e do charme europeu adaptado ao solo brasileiro. Um carro que despertava paixões e que, até hoje, é lembrado por sua elegância compacta.
1. O Início: O Dauphine e a Chegada do Gordini (1959) Carros Antigos
A história começa com o lançamento do Dauphine em 1959, fabricado pela Willys-Overland do Brasil sob licença da Renault. Mas foi em 1962 que surgiu a versão que ganharia o coração de todos: o Gordini. Com um motor mais potente e melhorias no câmbio (que passou a ter 4 marchas, uma raridade para a época), ele prometia mais fôlego para as ladeiras e estradas do país.
2. "40 Cavalos de Emoção" e a Fama de Frágil
O Gordini era conhecido pelo seu desempenho ágil. O slogan da época era direto: "40 Cavalos de Emoção". No entanto, ele também herdou uma fama injusta de "desmancha-prazeres" ou "leite de glória" (que não podia ver um buraco que já se queixava). A verdade é que o Gordini era um projeto refinado para as estradas europeias, e sofrer nas mãos do asfalto irregular brasileiro da década de 60 exigia um dono cuidadoso e um mecânico que entendesse de sua engenharia.
3. O Teste de Resistência: 50 Mil Quilômetros em Interlagos
Para provar sua valentia e calar os críticos, a Willys realizou um feito histórico em 1964: colocou um Gordini para rodar sem parar no autódromo de Interlagos. Foram 22 dias e noites acelerando, enfrentando sol e chuva, até completar 50 mil quilômetros. O pequeno valente não só aguentou como estabeleceu recordes de resistência, provando que tinha fibra para as nossas terras.
4. O Fim da Linha (1968)
A produção do Gordini no Brasil encerrou-se em 1968, dando lugar ao projeto "M", que mais tarde se transformaria no Ford Corcel. Durante seus anos de fabricação, ele foi o carro de entrada de muitas famílias, o primeiro automóvel de jovens universitários e o companheiro de viagens inesquecíveis.
Hoje, ver um Gordini restaurado, com suas calotas cromadas e pneus de faixa branca, é reencontrar um tempo onde os carros tinham personalidade em cada curva do design.
