![]() |
| A clássica Burroughs: precisão e robustez que marcaram época nos escritórios do século XX. |
Se você viveu entre as décadas de 1950 e 1980, ou simplesmente gosta de explorar a história da tecnologia, certamente vai reconhecer o peso, tanto literal quanto histórico, do equipamento que resgatamos hoje. Em outras postagens mostramos o charme das antigas máquinas de escrever mecânicas. Desta vez, vamos abrir espaço para outra gigante dos escritórios: a clássica calculadora mecânica Burroughs, conhecida por muita gente no Brasil simplesmente como somadora Burroughs.
Bastava olhar para aquele robusto equipamento de metal, repleto de colunas de teclas e uma imponente manivela lateral, para perceber que se tratava de uma máquina feita para trabalhar durante anos. Antes da chegada das calculadoras eletrônicas, ela ocupava lugar de destaque em escritórios de contabilidade, bancos, repartições públicas, indústrias, lojas e grandes estabelecimentos comerciais de todo o país.
Origem e História
A história dessa máquina começa no final do século XIX, nos Estados Unidos.
O inventor William Seward Burroughs trabalhava como escriturário e estava cansado dos erros frequentes nos cálculos feitos manualmente. Determinado a encontrar uma solução, desenvolveu uma máquina capaz de realizar somas com precisão e registrar automaticamente os resultados em uma fita de papel.
Em 1886, fundou a American Arithmometer Company, empresa que alguns anos depois passaria a se chamar Burroughs Adding Machine Company, tornando-se uma das maiores fabricantes de máquinas de calcular do mundo.
Um dos grandes diferenciais das máquinas Burroughs era sua confiabilidade mecânica. Ao longo das décadas, diversos aperfeiçoamentos tornaram os mecanismos mais suaves, resistentes e precisos, características que ajudaram a consolidar a marca como referência em automação de escritórios.
No Brasil, a Burroughs conquistou forte presença durante boa parte do século XX. Para muitas empresas, possuir uma dessas máquinas representava investimento em organização, produtividade e precisão nos registros financeiros.
O Período de Maior Popularidade
Entre as décadas de 1950 e 1970, a calculadora mecânica Burroughs viveu seu auge.
Era comum encontrá-la em departamentos de contabilidade, bancos, cooperativas, supermercados, atacadistas e repartições públicas. O ambiente dos escritórios era marcado pelo som característico das teclas sendo pressionadas e pelo movimento firme da manivela, criando um ritmo que muitos ainda lembram com nostalgia.
Naquela época, operar uma Burroughs exigia prática. Funcionários experientes conseguiam registrar longas sequências de valores com grande rapidez, tornando-se profissionais muito valorizados nas áreas administrativas e contábeis.
Como Funcionava
Ao contrário das calculadoras atuais, nas quais digitamos os números sequencialmente, muitos modelos Burroughs utilizavam o chamado teclado completo (Full Keyboard).
Nesse sistema, cada coluna representava uma posição decimal: unidades, dezenas, centenas, milhares e assim por diante.
Para registrar o número 145, por exemplo, o operador pressionava simultaneamente a tecla 5 na coluna das unidades, 4 na coluna das dezenas e 1 na coluna das centenas.
Depois disso, bastava acionar a manivela lateral. Esse movimento colocava em funcionamento um complexo conjunto de engrenagens, molas, eixos e rodas dentadas que realizava o cálculo e registrava o resultado na fita de papel.
Todo o processo era puramente mecânico, sem qualquer componente eletrônico.
Curiosidades
Cada operador tinha seu próprio ritmo
Quem trabalhou em escritórios daquela época costuma lembrar que era possível identificar qual funcionário estava utilizando a máquina apenas pelo jeito como acionava a manivela. Alguns eram rápidos e firmes; outros preferiam um movimento mais suave.
Máquinas extremamente pesadas
Dependendo do modelo, uma Burroughs podia pesar entre 10 e 20 quilos. O peso ajudava a manter a estabilidade durante a operação, evitando deslocamentos sobre a mesa.
Construídas para durar
Grande parte das peças era produzida em aço usinado e ferro fundido. Com manutenção periódica e lubrificação adequada, muitas dessas máquinas continuaram funcionando perfeitamente por décadas.
Impressão em papel
Além de realizar os cálculos, diversos modelos imprimiam automaticamente cada operação em uma fita de papel. Esse recurso facilitava auditorias e conferências dos registros financeiros.
O Declínio
O domínio das calculadoras mecânicas começou a diminuir durante a década de 1970.
As calculadoras eletrônicas passaram a oferecer inúmeras vantagens: eram menores, mais leves, silenciosas, rápidas e dispensavam qualquer esforço mecânico do operador.
Na década de 1980, esses equipamentos já haviam substituído praticamente todas as grandes somadoras mecânicas nos escritórios brasileiros.
A própria Burroughs acompanhou essa transformação tecnológica. A empresa expandiu suas atividades para a área de computadores e sistemas corporativos e, em 1986, fundiu-se com a Sperry Corporation, dando origem à Unisys, empresa que continua atuando no setor de tecnologia.
Um Símbolo de uma Época
Hoje, a calculadora mecânica Burroughs tornou-se uma peça muito valorizada por colecionadores, museus e apaixonados por tecnologia antiga.
Mais do que um equipamento de escritório, ela representa uma época em que era possível observar a engenharia funcionando diante dos olhos. Cada cálculo era resultado do movimento preciso de dezenas de engrenagens trabalhando em perfeita sincronia.
Em tempos de dispositivos digitais quase invisíveis por dentro, essas máquinas continuam despertando admiração pela robustez, pela durabilidade e pela engenhosidade de seu projeto.
Você se lembra delas?
Se essa postagem despertou boas lembranças, continue explorando o blog. Há muitas outras histórias sobre equipamentos que fizeram parte do cotidiano de milhões de brasileiros e ajudaram a construir a evolução da tecnologia que conhecemos hoje.
