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| O símbolo máximo de status dos escritórios brasileiros das décadas de 1960 e 1970. |
Se você viveu entre as décadas de 1960 e 1980, ou simplesmente aprecia a estética daquele período, feche os olhos por um instante.
Qual é o primeiro som que vem à sua memória?
É bem provável que seja o ritmo constante das máquinas de escrever trabalhando em conjunto. Durante muitos anos, esse foi o som característico de bancos, repartições públicas, escritórios de advocacia, seguradoras e grandes empresas brasileiras.
Muito antes dos computadores pessoais e da internet, existia um universo tecnológico surpreendentemente sofisticado. A máquina de escrever elétrica, especialmente a famosa IBM Executive, fazia parte de uma evolução que buscava tornar o trabalho mais rápido, organizado e profissional.
Embora nem todos os escritórios possuíssem o conjunto completo de equipamentos, as empresas de maior porte já utilizavam soluções que hoje lembram bastante os modernos sistemas de processamento de texto.
Uma máquina que estava à frente do seu tempo
A história da automação dos escritórios começou muito antes da informática doméstica.
Desde o século XIX, as máquinas de escrever já eram indispensáveis para a produção de documentos. Porém, foi com a chegada das versões elétricas que o trabalho ganhou velocidade e conforto.
A IBM apresentou a linha Executive na década de 1940 e continuou aperfeiçoando o projeto nos anos seguintes.
Sua maior inovação era o espaçamento proporcional.
Nas máquinas convencionais, todas as letras ocupavam exatamente a mesma largura. Um "i" utilizava o mesmo espaço que um "m". Na IBM Executive isso mudou completamente.
Cada caractere passou a ocupar apenas o espaço necessário, produzindo textos muito mais elegantes, semelhantes aos impressos em livros e revistas.
Para a época, era uma enorme demonstração de tecnologia.
O auge nos escritórios brasileiros
Durante as décadas de 1960 e 1970, as máquinas elétricas da IBM passaram a equipar muitos escritórios brasileiros, principalmente em grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Empresas maiores, bancos, multinacionais e órgãos públicos investiam nesses equipamentos para aumentar a produtividade.
Quem trabalhou nesse ambiente provavelmente ainda se lembra do cheiro de papel recém-retirado da embalagem, do leve aroma do óleo utilizado na manutenção das máquinas e do som constante das teclas durante todo o expediente.
Também era marcante o retorno elétrico do carro de impressão, muito mais suave do que nas máquinas totalmente mecânicas.
Muito além da máquina de escrever
Uma curiosidade pouco conhecida é que algumas empresas já utilizavam um fluxo de trabalho bastante organizado, algo que hoje poderíamos comparar aos primeiros sistemas de processamento de texto.
O processo normalmente acontecia em etapas.
O ditado
Em muitas empresas, principalmente nas de maior porte, executivos gravavam cartas, memorandos e relatórios utilizando aparelhos de ditado.
Essas gravações eram feitas em fitas magnéticas ou outros meios específicos da época.
A transcrição
Depois, a gravação era entregue à secretária ou datilógrafa.
Com o auxílio de fones de ouvido e pedais para pausar e retroceder o áudio, ela transcrevia o conteúdo na máquina de escrever elétrica.
Esse método aumentava bastante a produtividade e permitia que o executivo continuasse trabalhando enquanto seus documentos eram preparados.
A automação dos documentos
Algumas grandes empresas foram ainda mais longe.
A IBM desenvolveu sistemas de armazenamento em fita magnética, entre eles equipamentos como a MT 72, capazes de gravar um texto para posterior reprodução automática.
Na prática, cartas padronizadas, contratos e comunicados podiam ser reproduzidos diversas vezes com grande rapidez e consistência.
Era uma tecnologia cara e normalmente encontrada apenas em grandes corporações, bancos, seguradoras e instituições governamentais.
Embora pouco conhecida pelo público em geral, essa solução representava um dos primeiros passos rumo à automação dos escritórios.
Uma inovação que antecipou o futuro
O sistema baseado em fita magnética não substituía totalmente o trabalho humano, mas eliminava boa parte das tarefas repetitivas.
Em vez de redigitar o mesmo documento dezenas de vezes, bastava utilizar a gravação já preparada.
Hoje isso pode parecer simples, mas, para a época, representava um enorme ganho de produtividade.
Muitos historiadores consideram essas soluções os antecessores diretos dos modernos sistemas de edição de texto.
Atenção aos detalhes
Produzir um documento de alta qualidade exigia bastante cuidado.
As fitas de tinta precisavam ser substituídas corretamente para evitar manchas.
Como o espaçamento proporcional exigia alinhamento preciso, um erro importante normalmente significava recomeçar toda a página.
Por isso, era comum que documentos oficiais ou correspondências importantes fossem digitados lentamente e revisados com bastante atenção.
As escolas de datilografia
Outro símbolo daquele período eram as escolas de datilografia.
Milhares de brasileiros passaram por elas.
Conseguir um certificado aumentava bastante as chances de obter um emprego administrativo.
Os melhores profissionais alcançavam velocidades superiores a 100 batidas por minuto sem olhar para o teclado, algo que impressionava qualquer empregador.
Uma curiosidade interessante
Assim como acontecia com outras máquinas de escrever da época, cada equipamento deixava pequenas características próprias na impressão.
Desgaste dos tipos, alinhamentos discretamente diferentes e outras marcas mecânicas podiam ser observados em documentos produzidos por determinada máquina.
Em algumas situações, essas características chegaram a auxiliar perícias técnicas na identificação do equipamento utilizado.
O fim de uma era
No final da década de 1970 e durante os anos 1980, a informática começou a transformar completamente os escritórios.
Os computadores pessoais passaram a permitir a edição do texto antes da impressão.
Os monitores de fósforo verde, os disquetes e, mais tarde, as impressoras matriciais iniciaram uma nova fase da produtividade.
Pouco a pouco, as máquinas de escrever elétricas foram sendo substituídas.
Mesmo assim, durante alguns anos, computadores e máquinas de escrever ainda dividiram espaço em muitos escritórios brasileiros.
Um legado que permanece
Hoje, olhar para uma IBM Executive é muito mais do que observar uma antiga máquina de escrever.
Ela representa um momento importante da evolução tecnológica, quando empresas começaram a integrar equipamentos, organizar fluxos de trabalho e buscar novas formas de produzir documentos com rapidez e qualidade.
Muito do que fazemos atualmente em um computador tem suas raízes nessas soluções pioneiras desenvolvidas décadas atrás.
Você se lembra dessa época?
Talvez você tenha usado uma máquina de escrever elétrica, conhecido alguém que trabalhava como datilógrafo ou simplesmente ouvido o som característico de um grande escritório em pleno funcionamento.
Se essa lembrança despertou nostalgia, conte sua experiência nos comentários.
E continue acompanhando o blog. Ainda existem muitos objetos, tecnologias e histórias curiosas do passado esperando para serem redescobertos.
Tags:
Tecnologia Antiga
