Risque e Rabisque de Escritório: o bloco de mesa que marcou gerações

Mesa de escritório clássica com bloco Risque e Rabisque, telefone de disco, calendário e luminária.
O tradicional Risque e Rabisque ocupava lugar de destaque nas mesas dos escritórios.

Se você trabalhou em um escritório entre as décadas de 1960 e 1990, provavelmente se lembra daquele grande bloco de papel que ficava sobre a mesa, sempre pronto para receber um telefone anotado às pressas, um cálculo, um lembrete ou até um desenho feito durante uma ligação. Era o famoso Risque e Rabisque, também conhecido em algumas regiões como bloco de mesa, bloco para escrivaninha, desk pad ou simplesmente protetor de mesa.

Muito mais do que um acessório de escritório, ele fazia parte da rotina de empresas, bancos, cartórios, consultórios e repartições públicas. Era muito comum na época encontrar uma mesa executiva sem computador, mas dificilmente sem um Risque e Rabisque. Você lembra disso?

Origem e história

O conceito do Risque e Rabisque surgiu no início do século XX, inspirado nos grandes blocos utilizados por empresários, contadores e secretárias na Europa e nos Estados Unidos. A ideia era simples: proteger a superfície da escrivaninha e oferecer uma área sempre disponível para fazer anotações rápidas.

No Brasil, esse acessório começou a se popularizar a partir das décadas de 1940 e 1950, acompanhando a modernização dos escritórios e o crescimento das atividades comerciais e administrativas.

Com o passar dos anos, fabricantes passaram a produzir blocos personalizados com calendários, espaço para telefones, agendas, propagandas de empresas e até mapas. Muitas empresas distribuíam esses blocos como brindes para clientes e fornecedores, tornando-os presença constante nas mesas de trabalho.

Período de maior popularidade

O auge do Risque e Rabisque aconteceu entre as décadas de 1960, 1970 e 1980, permanecendo bastante utilizado durante os anos 1990.

Naquela época, praticamente todo escritório possuía uma escrivaninha de madeira equipada com telefone de disco, porta-canetas, calendário, relógio de mesa e o indispensável bloco de Risque e Rabisque.

Era muito comum na época fazer contas à mão, desenhar pequenos esquemas, anotar números de telefone ou registrar compromissos diretamente sobre o papel.

Quem viveu essa fase dificilmente esquece a cena de uma secretária atendendo o telefone enquanto rabiscava rapidamente um recado para o chefe ou de um contador enchendo páginas com cálculos feitos a lápis.

O bloco acabava registrando parte da rotina de trabalho de cada profissional. Ao final de alguns dias, bastava destacar a folha usada e uma nova página limpa ficava pronta para receber novas anotações.

Características e funcionamento

O funcionamento era extremamente simples, mas muito eficiente.

O Risque e Rabisque normalmente era composto por um grande bloco de folhas preso sobre uma base rígida de papelão, couro sintético ou madeira. Alguns modelos possuíam molduras elegantes que combinavam com móveis executivos.

As folhas eram destacáveis e geralmente tinham espaço para:

calendário mensal;

calendário anual;

linhas para anotações;

telefones importantes;

agenda diária;

logotipo da empresa.

Sua principal função era servir como uma enorme folha de rascunho sempre disponível.

Antes das calculadoras eletrônicas se tornarem comuns, muitos cálculos eram feitos ali mesmo. Telefones eram anotados rapidamente durante as ligações, pedidos eram registrados à mão e até pequenas plantas ou diagramas surgiam durante reuniões.

Além de proteger a madeira da escrivaninha contra riscos e manchas de tinta, o bloco também proporcionava uma superfície confortável para escrever.

Curiosidades

O Risque e Rabisque guarda diversas curiosidades interessantes.

Muitas empresas gráficas produziam blocos personalizados como brindes promocionais.

Bancos, seguradoras, farmácias, escritórios de advocacia e indústrias distribuíam versões com seus logotipos.

Era comum trocar apenas o bloco de papel, mantendo a mesma base de couro durante muitos anos.

Alguns executivos preferiam guardar determinadas folhas por conterem cálculos, assinaturas ou ideias importantes.

Antes das agendas eletrônicas, muitos compromissos começavam como um simples rabisco nesse bloco.

Diversos escritórios utilizavam modelos com calendário permanente, facilitando a consulta rápida das datas.

Alguns blocos possuíam centenas de folhas, suficientes para durar praticamente o ano inteiro.

Hoje virou pura nostalgia. Em muitos escritórios antigos, o Risque e Rabisque fazia parte da decoração tanto quanto a máquina de escrever ou o telefone de disco.

Declínio ou substituição

A partir da segunda metade da década de 1990, os computadores pessoais começaram a ocupar definitivamente as mesas dos escritórios brasileiros.

Programas de planilhas eletrônicas, editores de texto, agendas digitais e sistemas corporativos reduziram bastante a necessidade de fazer anotações em papel.

Depois vieram os notebooks, smartphones e aplicativos de bloco de notas, que praticamente eliminaram os grandes blocos de mesa da rotina profissional.

Mesmo assim, muitas pessoas continuam preferindo escrever ideias no papel antes de digitá-las. Não por acaso, ainda é possível encontrar versões modernas do Risque e Rabisque em escritórios clássicos e ambientes executivos que valorizam um estilo mais tradicional.

Conclusão

O Risque e Rabisque de escritório pode parecer um objeto simples, mas foi um verdadeiro companheiro da rotina profissional durante décadas. Sobre ele nasceram projetos, contratos, cálculos, listas de tarefas, telefones importantes e inúmeras ideias que ajudaram empresas a crescer.

Quem viveu essa fase dificilmente esquece o som das folhas sendo destacadas, os rabiscos feitos durante uma ligação ou a mesa organizada com aquele grande bloco sempre à disposição.

Hoje virou pura nostalgia, mas continua representando uma época em que o trabalho era feito com papel, caneta, organização e muita dedicação. Em um mundo dominado pelas telas, ele permanece como símbolo da elegância e da praticidade dos escritórios de antigamente.

E você, lembra disso?

Se bateu aquela nostalgia, aproveite para explorar outros conteúdos aqui do blog. Tem muita história interessante escondida em objetos simples do passado.

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